sexta-feira, 2 de maio de 2008

water, water, water everywhere and every chance to sink.

Priceless, Incubus

Quando eu era pequena, sempre torcia para que faltasse luz. Eu curtia ficar à luz de velas, todos na sala ou no quarto, juntos, esperando a luz voltar, jogando conversa fora, brincando. Torcia para que continuasse sem luz até a janta, pra gente comer àquela meia-luz, sem nem enxergar direito o prato, aquele silêncio característico que só a falta de TVs produz. Torcia pra que continuasse sem luz até a hora de dormir, pra ir deitar com aquela sensação de coisa diferente acontecendo - desde que a luz voltasse no meio da noite, porque eu morria de medo de acordar no meio da noite e a vela ter acabado e eu não enxergar absolutamente nada...

Faltou luz hoje. Agora, como adulta que virei a contragosto, não vejo mais graça nas coisas. Fiquei com meus irmãozinhos em volta - o grande com medo e o pequeno curtindo - esperando que voltasse. Mas não voltou. Aí acendi uma vela e fui jantar na cozinha, sozinha, porque hoje, mesmo que falte luz, nem sempre todo mundo fica junto ao redor da mesma vela. Foi tão agradável, mesmo que nem tenha sido e só tenha parecido pelo fato de que o resto do dia de hoje, no geral, foi uma bosta. Peguei chuva e fiquei molhada o dia inteiro, briguei, chorei.

Hoje foi um daqueles dias de tudo ou nada, em que não se sabe mais o que se quer da vida - ou se sabe, até, mas não se sabe o que fazer pra conseguir. E agora, que já voltou a luz, já temos novamente todos os barulhos de modernidade poluindo a atmosfera. Eu contribuo com um pouco de Stone Temple Pilots, pra desanuviar meus pensamentos chuvosos.

3 comentários:

joao disse...

Belo post...
pra mim, quando falta luz, sobra tédio!

Beijão.

Nana disse...

dias parecidos com os meus ... mas pelo post o teu foi sexta.

e da-lhe chuva, mas sem ngm em volta.

amo-te. bem-vindo, novo blogue.

Carolina. disse...

aii, acabei de postar lá no outro blog um comentário, respondendo ao teu comentário. afinal, qual deles fica?